Erick Wilder

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“profissional” ou Profissonal: o que você quer ser?

Durante minha experiência com o desenvolvimento de projetos web encontrei as mais diversas metodologias e políticas relacionadas à gestão de modificações de software. É claro que aprendi muito com todas estas experiências e tenho que dizer que aprendi mais sobre o que não fazer do que o contrário. Conheci pessoas que sabiam exatamente o que estavam fazendo bem como aquelas que na base da tentativa e erro, cedo ou tarde, conseguiam atender um prazo, mas imagino que essa seja uma situação recorrente, não limitada a este mercado.
 
A velocidade em que tudo pode mudar em um projeto, em muitas vezes, é tão grande que não há sequer um processo formal no qual toda a equipe está de acordo para a entrega de versões de um produto com qualidade. Encarar processos que possam ser chatos ou demorados são imediatamente tirados do campo de visão dos desenvolvedores tão logo que entram em uma empresa no início de suas carreiras, os quais se criam em um ambiente de total desorganização e levam para suas vidas uma cultura de bagunça, falta de normas e total desapego à disciplina. Sou desenvolvedor PHP há mais de 7 anos e durante vários deles ouvi muitas anedotas a respeito do “tipo de programador” que a linguagem forma e infelizmente conheci poucos caras que levavam a sério o seu trabalho e se preocupavam com aspectos de arquitetura, desempenho, segurança e aperfeiçoamento constante; a maioria fazia muita porcaria. Porém seria um grande engano, daqueles que adoram flames e defendem a ferro e fogo suas “linguagens altamente tipadas-totalmente orientadas a objetos-e-ultra performáticas”, de que somente em PHP existem programadores que fazem “suinagem” em seus códigos. Recentemente, analisando um projeto .NET com um amigo vimos que tem muita coisa pior do que já vimos em PHP (e olha que a má fama tem alguma origem), provando mais uma vez de que não há linguagem ou plataforma melhor que outra; são os “profissionais” que precisam se colocar como Profissionais.
 
Quando se está em começo de carreira, é comum abrir qualquer editor e sair programando, eu mesmo já fiz isso e é uma das maneiras que se tem para experimentar e ganhar confiança naquilo que se trabalha, mas à medida que se ganha experiência é necessário ter cautela e pensar em muitos fatores que podem ou não levar um projeto ao sucesso ou fracasso. Conhecer o conjunto de ferramentas que cercam um desenvolvedor é uma obrigação - e das mais básicas - e que não se limita apenas à sua IDE favorita ou ou banco de dados com o qual trabalha com maior frequência. Em “Engenharia de Software”, no capítulo sobre SCM há uma frase, aplicada à métodos ágeis que não me sai da memória:
 

“[…]. Preferivelmente processos ágeis usam ferramentas simples de CM como as ferramentas de gerenciamento de versão e de construção de sistemas que exigem algum controle. Todos os membros da equipe devem aprender o uso destas ferramentas e ajustar-se às  disciplinas que elas impõem.”

Engenharia de Software, 8ª ed, cap 29, p.457, I. Sommerville - Pearson Addison Wesley, 2007

Ênfase minha, pois foram as palavras que ficaram na cabeça e é justamente aquilo que menos vi em equipes e projetos. Apenas uma pequna parcela de profissionais conhecia ou tinha o interesse em conhecer sobre as ferramentas à disposição durante o desenvolvimento, de maneira muitas vezes não muito aprofundada. Bons exemplos incluem o uso consciente de expressões regulares ou entendimento de branches, merges e outras operações com SVN; são simplesmente um pesadelo para alguns caras. Deixo claro que não saber não é o problema, mas como estes (e outros) assuntos são levados em consideração para muitos desenvolvedores, que se acomodam, pois sempre há alguém ao lado (ou em algum fórum) para fazer o trabalho em seu lugar. Acredito que se os Profissionais de desenvolvimento de software não se ligarem, em pouco tempo teremos muito mais “profissionais”, deixando portas abertas para a mão de obra estrangeira abocanhar fatias importantes da nossa economia.

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Desenvolvedor web desde 2003, especializado em programação de interfaces web utilizando ActionScript, JavaScript e CSS, além do desenvolvimento server-side, utilizando PHP.

Aberto às iniciativas livres, acredito que compartilhar conhecimento e apoiar iniciativas de código aberto só abre novas portas.

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